sexta-feira, 7 de maio de 2010

Construir

Um tijolo, cimento, mais tijolo.
Vai subindo, subindo, subindo.
Aos poucos a construção vai se erguendo como um passe de mágica para aqueles que não veem e arduamente para aqueles que nela trabalham.
Só quem sente o sol queimar na pele entende a dimensão de uma construção como essa.
Porém, antes de acabar vem um temporal e derruba tudo.
Sem uma boa base não tem como esperar que a construção resista uma forte tempestade.
E sem uma forte tempestade não tem como atestar como anda a base.

domingo, 2 de maio de 2010

Equimose

Vou pichar os muros, pintar o telhado de branco, mudar a ordem das casas, fazer com que a rua se torne menos monótona, colorindo-a em novos tons de verde.
Mudar o caminho, andar de costa, tomar um novo banho de chuva pela manhã e ao final do dia admirar o pôr-do-sol.
Ler um novo livro, olhar de uma forma diferente para as coisas, descobrir em cada abraço amigo um colo acolhedor.
Andar de bicicleta e soltar as mãos. Sentir o frio na barriga e a brisa no rosto para ter a boa sensação de estar vivo. E de viver. Em altos e baixos, mas viver.
Comer, comer, comer.
Sem ritmo, sem sensatez, sem regras, pois as regras são feitas para quem as construiu. Tenho as minhas.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sonhos [novamente]

Não se sabe o sentido de sonhar.
Tantas questões que pairam na cabeça e não sabe-se se é sonho, expectativa ou realidade.
Sonho na verdade serve pra duas coisas: construir ou destruir.
Algumas vezes os sonhos são possíveis e motiva agir de fora a atingí-los, nesse caso podemos dizer que eles constroem.
No entanto, eles podem fazer com que você se mova, mude, corra e veja que não tem como mais ir adiante. A partir daí eles estão destruídos. E pode ainda destruir o sonhador, levando-o a não sonhar um sonho como tal.
Complicado.
Sonhar é bom, realizar é mais ainda. Mas acima de tudo, o sonho é um risco. A frustração e o aprendizado de um sonho não concretizado, pode ser definitiva na construção ou não de novos.
De teimosia (ou obstinação), vale a pena continuar tentando sempre.

domingo, 25 de abril de 2010

Oportunidade e acaso

É como matar a sede com água bem gelada após um dia de grande calor.
Sentir aquela sensação boa e no cérebro um conforto inabalável por qualquer problema que o dia ou a noite mal dormida possa ter deixado.
Sentir que o ir e vir é um fluxo constante e recíproco.
Talvez a sensação nem seja essa, seja melhor. Diria indescritível.
Talvez também seja menos que isso, ou nada. Só expectativas, mas que se não forem concretizadas, continuam boas sendo somente sonho.
Uma (ou muitas) música(s) boa(s) pra ouvir, uma proteção, um olhar, um sorriso e um abraço.
Muitas vezes a vida nos oferece coisas que não precisamos, outras ela trata de encaixar na hora mais certa e oportuna.
A oportunidade e o acaso tratam de corrigir erros que praticamos ao longo do caminho, só não pode esquecer que tudo depende mais ainda do tempo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Li e refleti

"Qualquer observador atento perceberá que existem duas espécies de colecionadores no mundo: os convictos e os acidentais. Os primeiros acumulam coisas involuntariamente, com método e perserverança. Os outros apenas cedem à vontade dos objetos, que parecem se agrupar por decisão própria."

Que me desculpem os colecionadores convictos, que por acaso colecionam pessoas, títulos, objetos, amores, decepções.
Refleti e descobri que sou colecionador acidental de felicidade.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Alô!

- Estou com medo.
- Medo de quê?
- Não sei, mas estou.
- Ai, para com isso!
- To te falando que estou com medo. Algo que não sei o que é, nem de onde vem.
- Você as vezes tem essas coisas mesmo, mas não consigo entender.
- Que barulho foi esse?
- Que barulho? Não ouvi.
- Um intermitente. Sei lá.
- É meu coração batendo por você. Eu te amo.
- Eu também te amo. Pena que estamos longe, senão eu te daria um beijo agora.
- É. Preciso desligar.
- Tchau.




Medo pode ser insegurança.
Amor pode ser ilusão.
Distância pode ser boa.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Peço lincença

Nem sei se a Rua Verde é digna de receber uma figura tão importante para o dono da rua.
Peço licença de todos os carros para a passagem de Machado de Assis:

"Se só me faltassem os outros... vá;
um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde;
mas falto eu mesmo, e esta lacuna é...
tudo."

Caminham por aqui.