quarta-feira, 5 de março de 2014

Assinado: Pierrot

O sopro que não se engrena
Toma forma entre notas
Num entreaberto de portas
Ou nas asas de um poema

E na inconstante sorte
Delineando uma lágrima
Feita de desgosto e lástima
Mas que engana a morte

Mais uma fantasia rasgada
Máscara de despedida
Fingida, sem brilho, partida
Com ilusão renovada.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Leite com Toddy

Abra o pote.
Pegue uma colher.
Coloque o Toddy no leite.
Misture.
Tá pronto.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Cinzas

Na manhã cinza de céu nublado ela o olhava com aquela cara de quem cobra algo. Um sinal de altruísmo que supera e ultrapassa os limites do amor, cobrando nada mais do que ele já deveria ser/fazer.
Ele sentado na cadeira, abraçando um dos joelhos apoiado no peito. A mão com o punho cerrado e, na boca, a unha que acabara de roer dançando entre os dentes. Uma ansiedade que incomoda e não se justifica.
Na mesa duas xícaras de café. O dela doce e o dele amargo. Mas mais amargo que seu coração não haveria de ser.
A rua no movimento cotidiano do início de um dia, de almas que vêm e vão com destinos certos a fim de cumprir a rotina diária.
Ninguém sabe o que vai acontecer.
Ninguém mesmo.
Tudo em cinzas.

 *Escrito em nov/11, encontrado por aí e finalizado com 3 frases.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Flores invisíveis

O jardineiro cuidadoso disse que as azaleias precisam de luz, mas indiretas.
Que os crisântemos vivem melhor em ambientes internos.
Os lírios sempre úmidos, sem encharcar.
E que as orquídeas dispensam muitas horas de luz.
Os cravos devem ser cultivados em espaços bem ventilados.
E que o girassol. Ah! Dele nem precisa falar.

Uma pena.
O que ele esqueceu é que, no seu vaso de água suja, jamais a raiz de um simples mato encostou para decorar a mesa de jantar da sua casa.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

orvalhação

Manam.
Há dor
alegria
amor
manifesta o que escorre
n’alma
pulsante dilacerada
ou não.
Liquidez de anseios
em caveiras de pedra.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Olho mágico

Te olho.
Posso perceber sua respiração ofegante da subida.
Tão perto, tão distante.
Você espera.
Após o soar da campainha, a ansiedade do rodar da maçaneta e do rosto na fresta da porta antecedendo a abertura de um abraço terno.
Seguro na chave. Aguardamos o barulho das roldanas da fechadura.
Mas não.
Você, assim, pequeno de longe. Já não enxergo seu cabelo milimetricamente ajeitado para o lado direito.
Sinto na palma de uma mão a rigidez da porta, na outra o gelo da maçaneta.
Me afasto.
Você desce.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Equilíbrio


às vezes doce, outras amargo (que azedasse)
às vezes atraso, outras pontualidade 
às vezes ideias se chocam por tempo indeterminado, outras decisões precipitadas
às vezes solidão, outras só
às vezes cores, outras preto e branco
às vezes o relógio acelera, outras para (que parasse)
às vezes arrancadas, outras paradas
às vezes presentear, outras ausentar
às vezes dentes, outras lágrimas
às vezes cair, outras levantar
às vezes sol, outras chuvas (que chovesse)
às vezes milímetros, outras quilômetros
às vezes pouco, outras nada
às vezes estanques, outras flexíveis
às vezes beijos, outras abraços
às vezes flutuar, outras deslizar (que sumisse)
às vezes tesão, outras frigidez
às vezes chegadas, outras partidas
às vezes carnaval
por vezes, outras
por outras vezes
vez ou outra

Caminham por aqui.