quarta-feira, 8 de julho de 2009

Na fila do banco

Ela não acreditava que havia deixado pra ir ao banco justo no 5º dia útil. A fila preferencial era tão enorme quanto a sua, que andava a passos de tartaruga ou até mais devagar. Nervosa por ver que havia somente dois bancários para atender toda aquela multidão sedenta para honrar seus compromissos bancários a tempo de voltar antes do término do horário de almoço. Lhe disseram que a agência era pequena e não tinha como contratar mais ninguém. Se a conta não tivesse vencida e sua mãe não fosse encher tanto o saco, talvez ela desistiria.
Entre o olhar do relógio e as pessoas que ali estavam, percebeu um garoto que deveria ter no máximo 18, de mochila, boné, calças largas e tênis. Pelo tanto de contas que carregava deveria ser office boy. Engraçado como ele lhe prendia atenção.
Embargada em seus pensamentos, viajava no sorriso do garoto, no movimento que ele fazia com a cabeça ouvindo seu MP3 que, pelo estilo dele, deveria tocar Fresno, Pitty ou NX Zero. E mesmo sabendo que todas as tardes esse mesmo cara poderia se distrair com Malhação ou ficar horas navegando na internet nos seus sites de relacionamentos e jogos online, não conseguia desviar o olhar tão fixo no seu objeto de desejo, tanto que até começava a imaginar se as pessoas notavam sua atitude.
Isso não poderia estar acontecendo com ela. Tão tradicional, acostumada a namorar caras mais experientes e tendo a idade pra ser irmã mais velha do garoto, jamais imaginara que um dia sentiria uma vontade tão profunda de estar com um garoto daquela idade.
Agora a fila parecia voar, pois estava distraída e sentindo um prazer enorme com sua observação. Seria essa ação motivada pela noite anterior? Deveria ser, não era a primeira vez que dormira morrendo de ódio do seu namorado que mais uma vez fizera 10 minutos de sexo e dormira após se satisfazer como se estivesse com uma boneca inflável.
Duas horas depois ela estava perplexa. Perplexa mas nenhum pouco arrependida. Parada no sinal, não acreditou que um dia teria a coragem de ir parar num drive in com um garoto que por esse pequeno espaço de tempo foi muito mais que uma simples distração enquanto aguardava na fila do banco.

Um comentário:

Zé das Côve disse...

Wow... Você que escreveu?
Parece um fato real... Será?

Caminham por aqui.