quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pra não morrer

Pra não morrer a Rua Verde, passeia por aqui Clarice Lispector:


“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”


Identificação total.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ensaio sobre o Tempo

Se todos os grandes [e pequenos(?)] escritores, pintores, filósofos, artistas, seres vivos ensaiaram e não chegaram a lugar nenhum.
Se todos já o questionaram e não entenderam, não seria eu o único a ficar de fora.
Tempo.
Quem foi que disse que o dia é pra ficar acordado e a noite é pra dormir?
Quem regulamentou que o 1 é feito por 24, que é feito de 60, que são 60 e aí vai?
Não se sabe o valor do tempo até que o veja escoar pelo cano, igual pasta de dente cuspida na pia, que só escorre pelo ralo empurrada pela água.
Talvez a água seja tudo que aparece na vida: trabalho, pessoas, amores, amigos, igrejas, diversão, escola, dinheiro. Tudo aquilo que cada um se escora pra não ver o tempo passar.
TIC TAC e ele já passou.
Clichê dizer para aproveitar o tempo enquanto o tem. Clichê maior ainda é dizer que o futuro é agora(eu já disse).
O que é futuro?
Não há como saber, pois até hoje ninguém descobriu como aproveitar o mal(ben)dito tempo. Se tivesse descoberto, ninguém nunca teria escrito(nem eu).
Passou o tempo.
Ganhei ou perdi? Não sei.
Pelo sopro do acaso ou do destino me guei e me guiarei enquanto tiver (ou perder) o tempo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Precisa-se

Precisa-se.
De um bobo pra rir quanto estiver sem graça.
De um amigo pra falar verdades e mentiras.
De uma sensatez pra desvendar uma leve loucura.
Da constância pra equilibrar o desequilíbrio.
Do tradicional pra colorir de preto o que é prata.
Da lágrima pra mostrar o sorriso.
Da realidade pra proporcionar o irreal.
Precisa-se nada além da vida e do sonho.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Over the raimbow

As horas passam com a contagem dos passos.
Caminha pela rua após a chuva. O céu ainda está nebuloso, sem a lua.
Está anunciada mais uma noite de solidão.
Sequer as luzes artificiais sustentam o peso da alma fria e cansada.
A gritaria efusiva dos passantes mostra que nem mesmo a companhia e as risadas são suficientes para felicitar a alma.
Tem que ir além, mas não sabe até onde.
Ninguém sabe onde se esconde a felicidade. Quiçá os sonhos.
Para que haja sempre sol é importante ter atrás de cada pote de ouro no fim do arco-íris uma nova chuva.
Só depois dela que os olhos estão aptos a ver as cores exuberantes e tímidas do arco-íris ladeadas pelos lindos raios de sol.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Comédia da vida (L)imitada

Dizem que a vida imita a arte, ou que a arte imita a vida.
Na verdade a vida imitada se (L)imita.
(L)Imita o sonho e o faz mascarado de verdade, que por sua vez chega maquiada, perfumada e com laços vistosos, difarçando a (L)imitação de necessidade satisfeita, nem que seja por pouco tempo.
Um fluxo constante de vaivém sem origem e sem destino.
(L)Imitar é perder o foco, perder a graça, perder o verde, perder a vida.
Abrir mão daquilo que há de mais precioso no ser humano: personalidade. Essa que ora chamamos de vida, ideias, pensamentos e criações.

Dúvida: como definir um comportamento como não (L)imitado se a todo tempo estamos revivendo comportamentos e ideias de outrem?

Responda você!
Se houvesse resposta pronta, talvez não haveria a necessidade da questão.
Tudo aquilo que está (é) óbvio, perde a sensualidade da dúvida e cai na vala comum, ou seja, acaba (L)imitado.
Viva intensamente a "Comédia da vida (L)imitada".

sábado, 28 de novembro de 2009

Início, meio e fim

Início.
Meio.
Fim.
Os meios justificam os fins ou os fins justificam os meios?
O início só se da com uma finalidade, ou acontece e, só assim, assume os meios que chegarão no fim?
Ou que não chegarão.
Ou que ficarão no início e no sacrifício do meio.
Ou ainda que não terão início.
Abandonar no meio, temer o início, lamentar o fim.
Lamentar o meio, desprezar o início, glorificar o fim.
Glorificar o início, abandonar no meio por temer o fim.
Temer o início, temer o meio, temer o fim.
Temer impede de viver.
Enquanto houver o temor, haverá a vida partilhada em inícios, meios e fins.
E é essa divisão de fases que torna os acontecimentos fragmentados.
Viva a busca por uma vida inteira.
Pois em todo início há a busca de um meio sem fim, ou com fins.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cadê?

Uma transparência no espelho que não reflete sua imagem.
Uma busca pelo que não perdeu, ou pelo que nem sabe se perdeu ou ganhou.
Um riacho sem fundo.
Um céu sem limites.
Uma rua sem fim.
Um agora que brinca de imitar o passado.
Recordações e experiências que viveu, que vive, que viverá.
Um olhar nos olhos de vidro que se quebraram em pedaços de lágrimas que insistem em não cair.
Uma compressão no âmago de quem espera a felicidade de volta e já está de braços abertos com essa ânsia.
Só não se sabe se ela vem vestida de verde ou de azul.

Caminham por aqui.